O Passeio no St. James’ Park e o Xadrez do Mercado da Bola

Quem olhou o placar final no St. James’ Park naquele 16 de abril de 2025 entendeu na hora o tamanho do estrago. Um sonoro 5 a 0 do Newcastle para cima de um Crystal Palace que, sendo muito franco, mal conseguiu respirar. Com quase 60% de posse de bola, os donos da casa ditaram o ritmo absoluto do início ao fim, impondo um volume de jogo que deixou o time londrino encurralado no próprio campo de defesa.

A fatura liquidada cedo

O primeiro tempo já desenhou um verdadeiro atropelo. A defesa do Palace estava completamente perdida perante as investidas rápidas, e a pressão sufocante dos Magpies não demorou a ser convertida em uma goleada precoce. Para fechar a primeira etapa de forma cruel, já no apagar das luzes aos 53 minutos, Fabian Schär aproveitou uma cobrança de bola parada, subiu livre no meio da área e testou firme de cabeça para cravar 4 a 0 antes mesmo da ida para os vestiários.

Na volta para o segundo tempo, o ritmo naturalmente deu uma cadenciada, mas a superioridade técnica se manteve intacta. O técnico do Palace até tentou estancar a sangria mexendo no time inteiro — tirou peças como Jefferson Lerma, Ismaïla Sarr e Eberechi Eze —, mas as raras tentativas de Daichi Kamada e Eddie Nketiah morriam na marcação bem postada ou nas defesas seguras. O golpe de misericórdia veio rápido: aos 13 minutos, Alexander Isak encontrou um buraco na entrada da área, armou um belo chute de pé direito e guardou o quinto.

A partir daí, o jogo ficou mais mastigado e físico no meio-campo. A pegada aumentou, resultando em cartões amarelos distribuídos para Bruno Guimarães e Dan Burn pelo lado mandante, além de Daniel Muñoz e Lerma pelos visitantes. Com o jogo no bolso, Eddie Howe rodou o elenco, acionando nomes como Sean Longstaff, Joe Willock, Callum Wilson, Emil Krafth e Anthony Gordon para rodar a minutagem de seus titulares.

O buraco no elenco e o chapéu de Anfield

E por falar em Anthony Gordon entrando no segundo tempo, é justamente aí que a história do clube sofre uma guinada fora de campo. O clima de festa nas arquibancadas mascara uma dor de cabeça imensa que a diretoria vem enfrentando nos bastidores. Com Gordon de malas prontas para assinar com o Barcelona, o Newcastle sabe que o seu setor ofensivo vai sofrer um apagão crônico em questão de tempo.

A diretoria sabia disso e já tinha o alvo de reposição definido. Fizeram do atacante espanhol Victor Munoz, de 22 anos, a grande prioridade da janela. O problema é que o mercado da Premier League não perdoa vacilos. Em um movimento rápido, o Liverpool entrou rasgando na negociação, fez o jogador mudar de ideia na última hora e deu um belo chapéu nos Magpies, levando o espanhol direto para Anfield. Um tombo e tanto no planejamento da temporada.

A caça pelo Plano B na França

Sem tempo para lamentar a rasteira do rival, Eddie Howe precisou recalcular a rota imediatamente. O radar de contratações do Newcastle agora aponta para a liga francesa:

  • O Novo Alvo: Matias Fernandez-Pardo, do Lille.

  • O Perfil do Jogador: Atacante internacional belga de apenas 21 anos, que surge como uma alternativa interessante, trazendo vigor físico e características táticas que se alinham com a proposta vertical da equipe.

A questão central é que a vida do Newcastle nesse mercado não será tranquila. O nome do garoto belga já está rodando nos escritórios de outros clubes pesados da Inglaterra. O Aston Villa está forte na jogada e monitora de perto a situação. Pior ainda: o próprio Liverpool, o mesmo que acabou de frustrar os planos com Munoz, também estuda fazer uma investida por Fernandez-Pardo. Se o Newcastle quiser garantir essa peça para evitar que o ataque fique despovoado com a saída de Gordon, vai precisar de uma postura muito mais ágil e agressiva com o talão de cheques na mão.