O mercado financeiro vive um momento de euforia renovada em 2026, especialmente para quem olha além das gigantes da bolsa. Os dados mais recentes mostram que as ações de menor capitalização, as chamadas small caps, estão em uma trajetória de forte valorização. O Índice Morningstar US Small Cap, por exemplo, vem superando com folga tanto o índice de grandes empresas quanto o mercado geral nos últimos meses.
Dave Sekera, estrategista-chefe de mercado dos EUA na Morningstar, acredita que esse movimento tem fôlego para continuar. Segundo as avaliações da casa, esses papéis ainda têm espaço para correr. A projeção econômica aponta para pelo menos mais dois cortes na taxa básica de juros americana ainda este ano, além de uma queda nas taxas de longo prazo. Somado a isso, o boom da infraestrutura de Inteligência Artificial acelerou o crescimento econômico além do esperado. Historicamente, é exatamente nesse cenário — Fed afrouxando a política monetária, juros longos caindo e economia reaquecendo — que as small caps entregam seus melhores resultados.
Para o investidor brasileiro que deseja surfar essa onda, ou simplesmente busca rentabilidade acima da Renda Fixa tradicional (que, convenhamos, pode estar trazendo decepções), os Fundos de Ações surgem como o veículo ideal. Entender como eles funcionam é o primeiro passo para não ficar de fora.
A dinâmica dos Fundos de Ações
Investir via fundos é, essencialmente, uma forma mais simples de apostar na bolsa de valores sem precisar operar diretamente no pregão. A lógica é a terceirização da dor de cabeça: quem decide quais papéis comprar ou vender não é você, mas um gestor profissional. Ao investidor, cabe separar o capital e aplicar.
Por definição regulatória, esses fundos devem alocar no mínimo 67% — dois terços — do seu patrimônio em ações negociadas em mercados organizados, como bolsas de valores, ou ativos relacionados. Isso inclui bônus de subscrição, certificados de depósito, cotas de outros fundos e BDRs (recibos de ações estrangeiras negociados no Brasil). O terço restante pode ser investido em outros tipos de ativos financeiros para proteção ou caixa.
Uma característica importante é a flexibilidade na concentração. Se previsto em regulamento, fundos de ações podem ultrapassar os limites tradicionais de concentração por emissor (que geralmente travam em 10% ou 20% do patrimônio para outros tipos de fundos). No entanto, para assumir essa exposição mais concentrada em poucos emissores, o fundo precisa deixar isso explícito no termo de adesão e ciência de risco, documento que o investidor assina ao entrar na aplicação.
Rentabilidade, Custos e Tributação
Como se trata de um investimento coletivo, os ganhos são proporcionais ao valor depositado por cada cotista. Se as escolhas do gestor forem acertadas, a cota valoriza; se o desempenho for ruim, ela cai. É fundamental ter estômago para a volatilidade, pois as variações podem ser bruscas. Para saber se o fundo está indo bem, a regra de ouro é comparar sua rentabilidade com um índice de referência (o benchmark), que no Brasil geralmente é o Ibovespa.
Quanto aos custos, existe a taxa de administração, divulgada como um percentual anual mas cobrada diariamente de forma proporcional. Nos fundos de gestão ativa, que buscam superar o mercado, é comum haver também a taxa de performance. Pense nela como um bônus pago ao gestor pelo mérito de entregar um resultado acima do referencial combinado.
A parte tributária é mais simples do que parece, mas exige atenção. Incidem dois impostos:
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Imposto de Renda: A alíquota é de 15% sobre a rentabilidade, cobrada apenas no momento do resgate. Diferente dos fundos de Renda Fixa e Multimercados, aqui não existe o “come-cotas” (antecipação semestral do imposto).
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IOF: Só é cobrado se o resgate for feito em menos de 30 dias após a aplicação. A alíquota é regressiva, indo de 96% a 0% nesse período.
As Melhores Estratégias para 2026
Voltando ao cenário promissor de 2026, investidores que desejam inclinar suas carteiras para as small caps — mas preferem não escolher ações individualmente — têm nos ETFs (Fundos de Índice) uma excelente porta de entrada. Para participar desse renascimento das pequenas empresas, a sugestão dos analistas é focar em ETFs que equilibrem características de crescimento (growth) e valor (value). Assim, você garante uma fatia da valorização independentemente do estilo que liderar o mercado.
Com base em classificações analíticas robustas (Rating Medalist de Prata ou Ouro da Morningstar), selecionamos nove ETFs que se destacam para capturar esse rali. Todos possuem alta liquidez e se enquadram na categoria “Small Blend”:
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Dimensional US Small Cap ETF (DFAS)
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Invesco RAFI US 1500 Small-Mid ETF (PRFZ)
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Schwab Fundamental US Small Company ETF (FNDA)
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Schwab US Small-Cap ETF (SCHA)
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State Street SPDR Portfolio S&P 600 Small Cap ETF (SPSM)
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Vanguard S&P Small-Cap 600 ETF (VIOO)
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Vanguard Small Cap ETF (VB)
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iShares Core S&P Small-Cap ETF (IJR)
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iShares ESG Aware MSCI USA Small-Cap ETF (ESML)
É válido ressaltar que, embora pertençam à mesma categoria, cada fundo pode adotar estratégias distintas. Alguns focam em sustentabilidade (ESG), outros em fundamentos específicos das empresas. Portanto, antes de apertar o botão de compra, faça sua lição de casa e entenda exatamente o que compõe a carteira do fundo escolhido. O ano de 2026 promete ser agitado, e estar bem posicionado pode fazer toda a diferença no resultado final do seu portfólio.